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Efeitos e Vulnerabilidades
A análise do risco de cheia e a gravidade dos seus efeitos é crucial para a decisão sobre medidas de defesa a adoptar contra cheias. Entendem-se por vulnerabilidades os elementos da nossa sociedade que ficam expostos, ou são afectados, por um desastre, neste caso uma cheia.

Os efeitos ou prejuízos resultantes das cheias são variados, consistindo, frequentemente, em:

Efeitos directos
- Evacuação e desalojamento de pessoas e eventual perda de vidas humanas;
- Isolamento de povoações;
- Danificação da propriedade pública ou privada;
- Submersão e/ou danificação de vias de comunicação e de outras infra-estruturas e equipamentos;
- Destruição de explorações agrícolas e pecuárias;
- Interrupção do fornecimento de bens ou serviços básicos (água potável, electricidade, telefone, combustível, etc.);
- Custo das acções de protecção civil, incluindo o realojamento e tratamento de vítimas.

Efeitos indirectos
- Perda de produção da actividade;
- Afectação das actividades socioeconómicas, por vezes por um período bastante prolongado;
- Afectação do meio ambiente.

As cheias de alguns rios são cíclicas, podendo contribuir para a fertilização dos campos ou mesmo para a remoção de diversos poluentes. Mas para se tirar este benefício das inundações provocadas pelas cheias dos rios e se minimizarem os danos por elas causados é necessário que as populações saibam precaver as suas vidas e os seus bens.

EM PORTUGAL CONTINENTAL
Foram dinamizados estudos de caracterização de zonas de risco e das vulnerabilidades associadas na procura de melhores soluções que influenciarão não só a actuação das forças intervenientes mas, igualmente, como se espera, os conceitos do uso do solo e ordenamento do território.

A minimização dos efeitos associados revela-se particularmente importante nas áreas de maior vulnerabilidade, em que periodicamente ocorrem perda de vidas e destruição avultada de bens.

Zonas vulneráveis a inundações
Zonas vulneráveis a inundações

As inundações provocadas pelas cheias na bacia do rio Tejo causam, muitas vezes avultados prejuízos. Actualmente as zonas mais afectadas localizam-se no distrito de Santarém, sendo os concelhos de Santarém, Cartaxo, Golegã, Almeirim e Alpiarça (rio Tejo), Tomar (rio Nabão) e Coruche (rio Sorraia) alguns dos mais vulneráveis. Ainda há apenas poucas décadas a Área Metropolitana de Lisboa era também fortemente afectada (concelhos de Loures e Vila Franca de Xira, nomeadamente) pelas cheias nesta bacia. Avultadas obras de regularização dos rios conseguiram reduzir significativamente a frequência destes eventos.

O estudo do comportamento do rio Tejo, a partir das descargas das diversas barragens da bacia e da propagação da onda de cheia, permite já prever atempadamente a inundação das zonas mais vulneráveis de modo a efectuar o aviso à população em tempo útil.

No Norte do País, devido à existência de zonas montanhosas, os vales onde correm os cursos de água são bastante encaixados, pelo que as inundações têm ocorrências localizadas. O rio Douro origina, nalguns troços, grandes cheias cíclicas, com elevado impacte no tecido socioeconómico das populações ribeirinhas. Localidades como o Porto, Vila Nova de Gaia e Peso da Régua, no rio Douro, bem como Chaves e Amarante, no rio Tâmega, são frequentemente assoladas por cheias.

A sucessiva construção de barragens na bacia do Douro não veio introduzir alterações significativas no regime das cheias, pois as suas albufeiras possuem uma capacidade de encaixe reduzida, impedindo-as de exercer o necessário efeito amortecedor.

As bacias a Norte do Douro também apresentam algumas zonas vulneráveis, com localidades ribeirinhas a serem frequentemente inundadas.

Na bacia do rio Minho as áreas mais afectadas pelas cheias dispõem-se ao longo da zona fronteiriça, ribeirinha do curso principal, destacando-se as localidades de Valença, Vila Nova de Cerveira e Monção como as que sofrem mais problemas. É de registar a forte dependência das vulnerabilidades nacionais à situação hidrometeorológica espanhola.

Na bacia do rio Lima, os concelhos de Ponte de Lima, Ponte da Barca e Arcos de Valdevez são os mais afectados pelas cheias. O laminar de caudais nas barragens hidroeléctricas existentes no rio Lima permite atenuar os riscos de inundação nas duas primeiras localidades.

A bacia do rio Cávado é também fortemente influenciada pela precipitação ocorrida na região do Gerês, a qual regista alguns dos valores de intensidade mais elevados do país durante o período de Inverno. Braga, Barcelos, Guimarães, Vieira do Minho, Terras do Bouro e Esposende são alguns dos municípios com núcleos urbanos mais afectados.

Afectadas por cheias normalmente de curta duração, dada a relativamente reduzida dimensão das bacias, são algumas zonas ribeirinhas dos rios Ave, Leça e seus afluentes.

Na bacia hidrográfica do rio Vouga, as condições estuarinas do troço final são susceptíveis de agravar alguns problemas de escoamento de águas, nomeadamente em situações de elevada agitação marítima em que o escoamento dos caudais do rio para o mar surge dificultado. Merecem também realce os problemas críticos de algumas sub-bacias como é o caso do rio Águeda, que afecta a cidade de Águeda.

Os principais problemas da bacia do rio Mondego surgem nos campos agrícolas do seu troço a jusante de Coimbra e devem-se não só ao próprio Mondego como também à contribuição dos seus principais afluentes (Alva, Ceira, Arunca, Ega). A regularização feita na barragem da Aguieira permite atenuar os principais problemas de cheias, através da laminação de caudais.

Em menor escala, mas não menos importantes, são as inundações provocadas pelas cheias da bacia hidrográfica do rio Sado, propiciadas pelas condições meteorológicas e geomorfológicas da região. As barragens implantadas nesta bacia têm fundamentalmente fins agrícolas mas asseguram a regularização de uma parte significativa dos caudais. Quando a sua capacidade de armazenamento se esgota, algumas povoações do concelho de Alcácer do Sal sofrem o risco de isolamento.

Ainda no Alentejo, algumas localidades a jusante da albufeira do Caia (distrito de Portalegre) e a zona ribeirinha de Mértola podem ser afectadas por cheias na bacia do rio Guadiana. Também a localidade algarvia de Alcoutim é vulnerável aos caudais mais elevados do rio Chança, afluente da margem esquerda do Guadiana.

O Algarve também conhece problemas de cheias, principalmente pela curta dimensão das suas bacias hidrográficas. Zonas como Monchique, Silves (rio Arade) e Tavira (rio Gilão) evidenciaram no passado algumas vulnerabilidades a inundações.

BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO TEJO
A bacia hidrográfica do rio Tejo é a maior em território nacional. Da sua área total de 81000 km2, apenas 30,8% se situa em Portugal.

É um rio ciclicamente sujeito a cheias de grande impacte no tecido socioeconómico da região atravessada. A margem direita da bacia portuguesa do rio Tejo é a que, em termos nacionais, contribui maioritariamente para o risco de cheia.

O conjunto dos aproveitamentos hidroeléctricos construídos no Rio Zêzere (principal afluente da margem direita do rio Tejo) não é suficiente para suavizar a ocorrência de inundações. A capacidade de armazenamento hídrico da bacia em Espanha e a forma como a gestão dos recursos hídricos é aí efectuada, determina também a frequência e intensidade das cheias em Portugal.

As cheias na bacia do Tejo originam no distrito de Santarém situações de cortes de diversas estradas nacionais e municipais, interrupção da circulação ferroviária e alagamento de campos agrícolas.

A partir dos estudos elaborados aquando das cheias anteriores no Rio Tejo, foram inventariados mais de 100 pontos críticos, dos quais a maioria se localiza na lezíria ribatejana e a montante de Almourol. Estes pontos referem-se essencialmente a vias cortadas e povoações atingidas. Em caso de cheia pode ocorrer:
- Isolamento de populações (Reguengo do Alviela, Caneiras, Valada, Pombalinho, Porto de Muge, Azinhaga e Palhota, entre outras);
- Corte ou submersão de vários troços rodoviários (por exemplo, a EN 365 entre Vale de Figueira e Golegã, a EN 114 entre Tapada e Almeirim e a EN 3 entre Santarém e Cartaxo);
- Interrupção da circulação ferroviária (vários troços da Linha da Beira Baixa e do Norte);
- Alagamento de campos agrícolas (Golegã, Azinhaga, Pombalinho, Reguengo e Paúl do Boquilobo, na margem direita do Tejo; campos da Chamusca, São Domingos e Santa Clara, na margem esquerda);
- Afectação de edifícios habitacionais, comerciais e industriais, bem como de edifícios de serviços públicos (por exemplo, a Conservatória do Registo Civil de Constância ou o Cartório Notarial de Vila Nova da Barquinha).

BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO DOURO
A bacia hidrográfica do rio Douro é a maior da Península Ibérica. Da sua área total de 97682 km2, apenas 19% se situa em Portugal.

O curso inferior do rio Douro corre num vale extremamente encaixado, pelo que as vulnerabilidades deste rio às inundações residem nos aglomerados urbanos implantados nas zonas ribeirinhas, facilmente inundáveis.

No troço principal, a área a jusante da barragem de Crestuma é das mais afectadas, nomeadamente nos areínhos de Avintes e Oliveira do Douro e nas ribeiras do Porto e de Gaia. Nesta última localidade, as inundações atingem, muitas vezes, as caves do Vinho do Porto. Igualmente vulnerável é a localidade de Peso da Régua onde as cheias afectam diversas habitações e estabelecimentos comerciais da zona marginal e onde é frequente o corte de ruas por submersão.

Os afluentes do rio Douro também atingem caudais elevados e suscitam problemas em diversos municípios ribeirinhos. É o caso do Tâmega (que alga frequentemente as cidades de Chaves e Amarante), Sousa (transbordo junto à foz, no concelho de Gondomar) e Tua (localidade de Mirandela) que, embora tendo cheias de duração não muito prolongada, registam um longo historial de inundações.
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