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Portugal, no contexto da tectónica de placas, situa-se na placa euro-asiática, limitada a sul pela falha Açores-Gibraltar, a qual corresponde à fronteira entre as placas euro-asiática e africana e, a oeste pela falha dorsal do oceano Atlântico.
O movimento das placas caracteriza-se pelo deslocamento para norte da placa africana e pelo movimento divergente de direcção este-oeste na dorsal atlântica.
Os dados disponibilizados pelo Instituto de Meteorologia demonstram que a actividade sísmica do território português resulta de fenómenos localizados na fronteira entre as placas euro-asiática e africana (sismicidade interplaca) e de fenómenos localizados no interior da placa euro-asiática (sismicidade intraplaca).
Em função do enquadramento geodinâmico regional do território continental português verifica-se que a sismicidade, associada a falhas activas, apresenta dois casos distintos:
- para sismos gerados no oceano (sismos inter placas) a sua sismicidade pode considerar-se elevada. Os sismos apresentam magnitudes elevadas (M>6) e períodos de retorno de algumas centenas de anos;
- para sismos intra placa a sismicidade é moderada passando a baixa nas zonas situadas no norte de Portugal. Este facto não significa que nestas zonas não possam ocorrer sismos de magnitudes significativas mas que os seus períodos de retorno são da ordem dos milhares a dezenas de milhares de ano.
ENQUADRAMENTO GEODINÂMICO REGIONAL DO TERRITÓRIO CONTINENTAL PORTUGUÊS

1- crosta oceânica 2- crosta continental adelgaçada 3- fronteira de placas difusa (colisão continental) 4- fronteira de placas (localização aproximada) 5- subducção provável a sul dos bancos submarinos de Goringe e Guadalquivir e ao longo da margem continental oeste-ibérica 6- falha activa 7- idem provável |
8- falha activa com movimento de desligamento 9- falha activa com movimento inverso 10- falha activa com movimento normal Ga- banco da Galiza Go- banco de Goringe Gq- banco do Guadalquivir P.A.Ib.- Planície Abissal Ibérica P.A.T.- Planície Abissal do Tejo. Curvas batimétricas em km (primeira a 200 m). |
Fonte: João Cabral (1995)
Os grandes sismos históricos tiveram os seus epicentros localizados no acidente Açores-Gibraltar (sismos inter placas), dos quais se destaca o de 1 de Novembro de 1755, com uma magnitude aproximada de 8,75.


Lisboa após o sismo de 1 de Novembro de 1755
Este sismo originou um tsunami com cerca de 15 metros de altura, fenómenos de liquefacção e deslizamentos, tendo provocado na cidade de Lisboa grande número de mortos e destruição de edifícios.
A sismicidade intra placa é mais difusa, destacando-se, como exemplo, o sismo de 23 Abril de 1909 com epicentro em Benavente, Vale Inferior do Tejo, e com uma magnitude de 6,7.
Os grandes sismos históricos tiveram os seus epicentros localizados no acidente Açores-Gibraltar (sismos inter placas), dos quais se destaca o de 1 de Novembro de 1755, com uma magnitude aproximada de 8,75.

Benavente, sismo de 23 de Abril de 1909
Para além da região do Vale Inferior do Tejo, existem outras zonas de sismicidade histórica importante: Loulé, Setúbal, Batalha - Alcobaça e Moncorvo.
A carta das máximas intensidades observadas até à actualidade, permite-nos concluir que o risco sísmico no Continente é significativo: as maiores concentrações demográficas situam-se no seu litoral, precisamente nas áreas de maiores intensidades sísmicas observadas. A entidade responsável pela vigilância sísmica em Portugal é o Instituto de Meteorologia, que apresenta semanalmente um resumo da sismicidade ocorrida no Continente.

http://www.meteo.pt/sismologia/sismos.html |