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Glossário
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Risco sísmico - De acordo com a proposta da UNESCO em 1980, o risco sísmico refere-se às perdas esperadas para um determinado elemento exposto ao risco, durante um determinado período de tempo. Os elementos em risco podem ser bens construídos, actividades económicas ou população. Dependendo da forma como o risco é definido, pode expressar-se em perdas económicas, perda de vidas ou danos no edificado. A seguinte expressão é usada para definir o risco: Risco = Perigo *Vulnerabilidade* Custo. Tectónica - Ramo da geologia que tem como objecto de estudo o movimento e deformação das rochas da crusta terrestre e as causas que os provocam.
Placa tectónica - O modelo explicativo da dinâmica terrestre admite que, ao nível da crusta terrestre, existem 2 estratos com propriedades mecânicas distintas. O nível à superfície, designado litosfera, tem cerca de 100 km de espessura nas áreas continentais e cerca de 50 km de espessura nas áreas oceânicas. O nível imediatamente abaixo, designado astenosfera, estende-se até uma profundidade de 700 km e apresenta um comportamento plástico. Através de uma série de métodos indirectos e observações em fundo marinho, considera-se que a litosfera está dividida em 19 placas tectónicas.
Limites de placas - Cada placa tectónica individualiza-se das restantes por meio de descontinuidades, ao longo das quais se concentra a maior parte da actividade sísmica e vulcânica mundial. Os limites estão classificados em 2 categorias principais: Zonas de subducção ou de fossa oceânica e as zonas de Rift.
Teoria das placas - Modelo explicativo da dinâmica terrestre de acordo com o qual o nível mais rígido da litosfera está dividido em cerca de 12 placas maiores, não coincidentes com os limites dos continentes, e cerca de 7 placas menores ou secundárias. Estas placas litosféricas não são estacionárias, pelo contrário, assentes sobre o nível mais viscoso da crusta, a astenosfera, encontram-se em deriva a uma velocidade média de 2-10 cm/ano.
Correntes de convecção - Movimentos circulares que se desenvolvem ao nível da astenosfera, devidos às grandes diferenças de temperatura existentes no interior da terra. Através delas, a matéria que forma as placas ascende à superfície nas zonas de rift, deriva e por arrefecimento torna-se rígida.
Rift - Zonas de descontinuidade, constituem um tipo de limite de placas ao longo do qual há geração de material novo, sendo, por isso, o movimento dominante de divergência. A estes limites estão associados os sismos mais superficiais e grande parte da actividade vulcânica. Este tipo de limite está muitas vezes associado a outras descontinuidades, as falhas transformantes, ao longo das quais também existe actividade sísmica.
Zonas de subducção ou de fossa oceânica - Tipo de limite de placas ao longo do qual duas placas convergem, havendo normalmente mergulho de parte de uma delas, a mais densa (crusta oceânica). A estes limites associa-se actividade sísmica com foco a grande profundidade.
Falha - Alinhamento perceptível na superfície terrestre, com continuidade em profundidade, que corresponde a uma superfície de descontinuidade, que pode ser física e/ou litológica. Nos casos em que ocorrem movimentações no plano de fractura, designam-se por falhas activas, podendo aí haver actividade sísmica associada.
Sismologia - Ramo da geofísica que interpreta as ondas sísmicas, sua natureza e características de propagação.
Ondas sísmicas - Sinal da propagação da energia libertada pelo sismo, que compõe um registo ou sismograma. Existem vários tipos de onda registados pelo sismógrafo. Considerando as suas características de propagação, as ondas sísmicas podem ser agrupadas em ondas volúmicas (ondas P e S), que atravessam os vários níveis do interior do planeta, e ondas superficiais, as quais surgem a partir das anteriores, mas que se propagam apenas à superfície terrestre (ondas R e L). A propagação das ondas sísmicas depende das características das rochas que atravessam e da distância percorrida até à estação de registo.
Sismógrafo - Instrumento de grande sensibilidade aos movimentos da superfície terrestre. A partir de cálculos com base em registos de sismógrafos, localizados em diferentes pontos do planeta para um mesmo sismo, é possível determinar o ponto da superfície terrestre onde se registam as maiores intensidades, o epicentro.
Hipocentro ou Foco - Zona no interior da terra a partir do qual se considera iniciada a propagação da energia libertada durante um sismo.
Epicentro - Ponto à superfície da terra situado na vertical do foco ou hipocentro (a).
Magnitude - O conceito de magnitude foi introduzido para fornecer uma medida da quantidade de energia libertada por um sismo. Constitui um parâmetro muito importante na quantificação do fenómeno, recorrendo a medições do movimento da terra que consideram a distância epicentral e a profundidade focal. A escala de magnitude sísmica adoptada, no sentido de uniformizar o valor para um mesmo sismo, é a escala de Richter (desenvolvida em 1935 por Charles F. Richter, com base nos registos dos sismógrafos de Wood - Andersson).
Intensidade - Mede a grandeza de um sismo qualitativamente, em função dos efeitos nas populações, construções e ambiente. A intensidade varia com a distância ao epicentro, características geológicas e topográficas do terreno, e com as estruturas edificadas. Escala de Mercalli Modificada (MM 1956) - É uma escala qualitativa utilizada para descrever os efeitos de um sismo tendo em conta os efeitos nas estruturas, em consequência da aceleração máxima do solo. A escala é composta por 12 graus de intensidade que variam entre I (imperceptível) até XII (danos quase totais), em que a cada número se associa um grupo descritivo de efeitos. Resultou da necessidade de uniformizar várias escalas existentes considerando nos seus critérios de avaliação de efeitos, 5 classes de danos nas construções e 4 tipologias de construção. Esta escala complementa a informação dada pela magnitude de um sismo.
Isossistas - Curvas de igual valor de intensidade sísmica. O mapa de isossistas de um sismo evidencia as zonas que foram mais afectadas que as restantes. Réplicas - Sismos que se fazem sentir após o abalo principal e que geralmente diminuem em frequência e intensidade com o tempo.
Neotectónica - Ciência que se ocupa do estudo dos movimentos tectónicos registados em sedimentos recentes, do ponto de vista da geologia. Em Portugal corresponde à actividade tectónica que ocorre desde há 2 milhões de anos até à actualidade.
Tsunami - Termo derivado do Japonês que significa ola de bahia e que foi adoptado internacionalmente para designar marés produzidas por bruscos impulsos propagados em massas de água. Este é um fenómeno que ocorre associado a grandes sismos, quando o epicentro é em fundo marinho ou próximo da costa, provocando a alteração da topografia do fundo marinho. O trem de ondas gerado apresenta um comprimento de onda muito elevado (a distância entre 2 cristas consecutivas pode atingir os 90 quilómetros), podendo deslocar-se a grandes distâncias, com velocidades que podem ser superiores a 800 quilómetros por hora. Em águas profundas a sua altura é inferior a um metro mas, à medida que se aproximam das zonas costeiras pouco profundas, aumentam consideravelmente o seu tamanho, podendo atingir alturas de dezenas de metros, provocando grandes destruições em zonas costeiras (b). No interior de bacias hidrográficas, as ondas do tsunami adquirem a forma de maré rápida, com uma amplitude que pode atingir alguns metros, provocando inundações em zonas pouco protegidas.
Deslizamento - Um movimento de grande quantidade de terra ou material rochoso, ao longo do plano de inclinação de uma vertente, podendo causar graves danos e, nesse caso, considera-se um acidente geomorfológico. Este tipo de deslocamento ocorre normalmente a velocidades notórias, sendo a força da gravidade o seu único motor. Acontece frequentemente em consequência de um sismo ou de fortes chuvadas.
Liquefacção - Processo pelo qual um solo de tipo arenoso, com elevado nível freático, adquire características dum líquido devido ao aumento da pressão que a água exerce nos espaços existentes entre as partículas que o constituem. As possíveis consequências deste tipo de fenómeno consistem em assentamentos diferenciais de solos de fundação, conduzindo a deformação de vias, assentamentos de edifícios, etc..
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