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Vulnerabilidades

Mesmo cumprindo os requisitos de segurança fixados na legislação, o transporte de mercadorias perigosas não está isento do risco de acidentes que podem afectar pessoas e bens, cuja verificação implica a necessidade de uma intervenção rápida e adequada ao tipo de acidente e às características da mercadoria transportada.

Tal objectivo só será possível com o conhecimento perfeito dessas características e das técnicas de intervenção adequadas às acções de socorro.

O risco de acidentes no transporte de mercadorias perigosas é função de determinadas variáveis que estão ligadas à localização das empresas que as produzem, armazenam e comercializam; aos trajectos utilizados; à intensidade de tráfego automóvel; à frequência de circulação dos veículos de transporte; às quantidades transportadas e ao perigo inerente aos próprios produtos.

Para além do risco de explosão, o acontecimento iniciador mais comum é a perda de contenção da mercadoria, potenciando a sua perigosidade, por exemplo, o contacto da mercadoria tóxica com o Homem, da mercadoria inflamável com uma fonte de ignição ou da mudança de estado físico da mercadoria com mudança das suas propriedades.

A perda de contenção pode acontecer por degradação do contentor na sequência de um acidente rodoviário, incorrecta operação das válvulas, ou por acção física interior ou exterior, tal como por exemplo, uma acção mecânica, uma acção química, uma acção térmica ou uma acção de sobrepressões.

Em termos gerais os fenómenos perigosos que se manifestam neste tipo de acidentes (a sobrepressão e a radiação térmica de explosões, a radiação térmica e fumos nocivos de incêndios, a toxicidade de nuvens ou derrames tóxicos, entre outros) têm a capacidade de provocar efeitos de grau diverso consoante o tipo de elementos expostos: o Homem, o Ambiente ou bens materiais.

Exemplos de Acidentes no Transporte de Mercadorias Perigosas em Portugal

Como exemplos de acidentes no transporte de mercadorias perigosas em Portugal, referem-se dois acidentes ocorridos em 1999 e que tiveram consequências mais graves.

Santa Maria de Airão, concelho de Guimarães, (16 Junho 99) - Explosão seguida de incêndio num veículo-cisterna quando se iniciava a transfega de 18000 litros de tolueno para tambores, tendo causado uma vitima mortal e danos materiais em casas vizinhas e em quatro veículos que se encontravam no local. Interviram na operação a Delegação Distrital de Protecção Civil de Braga, GNR e 7 corporações de bombeiros com 120 homens e 30 viaturas. O incêndio foi dominado e efectuou-se o arrefecimento da cisterna aquecida pelo fogo. A transfega do tolueno que permanecia na cisterna foi efectuada no dia seguinte.

 

Combate ao incêndio e arrefecimento do veículo-cisterna –

Fonte: Flávio Freitas, Jornal do Minho

 

 

 

 

Vista geral do acidente
Fonte: Flávio Freitas, Jornal do Minho

 

 

 

 

Vista geral do acidente
Fonte: Flávio Freitas, Jornal do Minho

 

 

 

 

Viana do Castelo, (27 Julho 99) - Derrame de 25 000 litros de resinas de aminoplasto na ribeira de Portuzelo como consequência de um acidente de um veículo-cisterna que capotou. As resinas continham formaldeído, pelo que foram interditas as actividades de pesca e banhos numa extensão de 8 km, desde a foz do Rio Lima até Lanheses. A contaminação da ribeira atingiu uma área de 30 m2. Interviram no local a Delegação Distrital de Protecção Civil de Viana do Castelo, os bombeiros municipais, a Junta Autónoma de Estradas, a Brigada de Trânsito e a Direcção Regional do Ambiente.

Local do acidente
Fotografia de Dr. Carlos Baptista

 

 

 

Local do acidente
Fotografia de Dr. Carlos Baptista

 

 

 

 

Contaminação da Ribeira de Portuzelo
Fotografia de Dr. Carlos Baptista

 

 

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